Chuva cai no DF depois de 17 dias
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
O primeiro mês de 2015 no Distrito Federal é sufocante. As altas temperaturas, que chegaram a 31.9º C, com sensações térmicas de até 35º C expõem as características do verão brasiliense. Mas a chuva, um item essencial da estação, desapareceu. Nos 22 primeiros dias do mês, em apenas três a água caiu do céu. Foram 17 dias de estiagem em um período tipicamente chuvoso.
Os dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mostram que a ausência da chuvas pode se tornar uma realidade cada vez mais constante no Planalto Central. Entre 2004 e 2013 a média de chuvas registrada em janeiro foi de 21 dias para o mês de 31. Neste período de 10 anos, não houve registro de um janeiro com menos de 15 dias de chuva, mas do ano passado para cá, os dados revelam o que os brasilienses sentem na pele.
Em 2014, o Inmet registrou 10 dias de chuva e em 2015, apenas três até dia 22. A previsão é de novos temporais com ventanias até o final do mês, mas não haverá mais que 12 dias de chuva. O chamado veranico, uma pequena estiagem no meio de um período habitualmente chuvoso, é um fenômeno natural corriqueiro, mas ele tem sido cada vez maior, notado com mais veemência por agricultores e analisado com preocupação por especialistas.
— O maior problemas que tenho notado nos últimos tempos é a má distribuição de chuva para todos os meses. O agricultor passa 20, 22 dias sem chuva no solo. É normal um ausência de chuva no período chuvoso, mas é um veranico de 7, 8 dias, mas ficaram 17 dias sem chover. Cada ano que passa está pior, observa o meteorologista Manoel Rangel.
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O que Rangel descreve é o que Gabriel Penna, administrador de uma indústria de lavouras em Planaltina, no Distrito Federal, observa no dia a dia. Na região do Núcleo Rural Tabatinga, onde a família dele planta 4 mil hectares de grãos, não chove há 25 dias. A estiagem inesperada provoca uma perda de 30% da safra de feijão, que está em fase de colheita.
— Aconteceu a estiagem justamente na época de “enchimento” dos grãos. Como não choveu o grão não cresceu, perdeu peso. Teve lavoura que a gente tem o costume de colher 50 sacos, não deu nem 30 sacos.
Penna diz que a ainda não é possível colocar na caderneta os prejuízos financeiros, que só devem ser contabilizados no último dia de janeiro, mas ele afirma que a falta de água vai prejudicar as safras futuras.
— Já era para começar a plantar as novas safras, mas como não tem chuva, ainda não conseguimos começar. Isso com certeza vai dar muito prejuízo. Ainda tem a colheita da seja, que só termina daqui uns 40 dias e a gente não sabe o quanto ainda vai perder.
A maior estiagem do Distrito Federal foi registrada em 1963, foram 164 dias sem chuva. Mas a grande seca foi registrada entre maio e agosto, período tipicamente estio.
Via:: R7
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