Geladeiras do livro foram recuperadas pela comunidade do Guará II (DF)
Divulgação/Facebook
O videoartista Lucas Rafael, morador do Guará é o responsável por um projeto de incentivo à leitura diferente. Ele toca o projeto Geladeira do Livro, que consiste em pequenas bibliotecas comunitárias, com carcaças de refrigeradores que abrigam livros doados. As publicações podem ser levadas para casa por quem se depara com as geladeiras.
Lucas recebe exemplares e ‘novos’ aparelhos usados, além do apoio de grafiteiros que criam pinturas para os refrigeradores. O jovem instalou geladeiras na QE 17, e também QE 32 do Guará II.
Ataques de vandalismo tentaram destruir o projeto das geladeiras-bibliotecas do Guará II (DF) em julho. Oss refrigeradores foram encontrados quebrados e livros espalhados pelo gramado das pracinhas na QE 32 e na QE 17. No entanto, com apoio da vizinhança, o projeto foi recuperado e ampliado.
A Geladeira do Livro funcionou tão bem que Lucas e os amigos expandiram a iniciativa cultural até Samambaia Norte (DF), desde o dia 26 de julho. A instalação do aparelho na quadra 406 teve direito a festa com sarau literário com apresentações de música e poesias, com a parceria do coletivo Uniquebra e de artistas locais.
Servido? Geladeira que funciona como biblioteca desperta curiosidade e incentiva leitura no DF
Lucas Rafael conta que as geladeiras-bibliotecas foram inspiradas em projetos como o de uma biblioteca da Venezuela que fica embaixo de um viaduto, e em iniciativas brasilienses como a Mala do Livro e o Açougue Cultural do T-Bone, que deixa títulos em paradas de ônibus na Asa Norte. Tudo começou em agosto de 2014, com uma ideia que ele já seguia em casa para reaproveitar os aparelhos velhos.
— Em casa a gente já tinha esse hábito de guardar os livros numa geladeira queimada. Ela serve bem porque o imã que veda a porta dá uma boa segurança aos exemplares, sem falar que é uma forma de reaproveitar o aparelho, pois depois que o refrigerador queima, já não da mais para consertar. A gente recebe a geladeira, escolhe uma praça e convida artistas locais, grafiteiros e artistas plásticos para trabalhar uma obra de arte dos aparelhos, além de promover apresentações de música e poesia.
Para começar, as doações da primeira Geladeira do Livro partiram do próprio Lucas. Em seguida, a namorada dele contribuiu, e algum tempo depois, a comunidade e a biblioteca de uma escola pública no Guará integraram a parceria com livros suficientes para lotar os refrigeradores. Estão disponíveis títulos didáticos, técnicos, romances, histórias em quadrinhos e revistas de todos os tipos.
Segundo Lucas, as doações podem ser feitas diretamente com ele, pois se não houver espaço nas geladeiras das praças, ele armazena em casa até achar um espaço para os livros. A ideia dele é ampliar o projeto comunitário para outras cidades, e em outras praças do Guará como nas QEs 34, 28 e 19, mas para isso precisa de ajuda de patrocinadores para instalar os refrigeradores.
— A gente pretende ampliar para várias cidades, como a Estrutural, São Sebastião e Samambaia, onde a gente já instalou uma nova. Já temos praças escolhidas, mas não temos recurso para realizar os eventos de lançamento, que são importantes para que a comunidade conheça o projeto e faça mais doações.
Lucas afirma que ainda não tem apoio do governo, mas já mandou documentação para a Secretaria de Cultura do DF para receber recursos do FAC (Fundo de Apoio a Cultura do DF) e pediu ajuda para divulgar a Geladeira do Livro e receber obras dos autores brasilienses. O secretário da pasta, Guilherme Reis, manifestou interesse em dialogar e trabalhar junto com o videoartista, com ressalva de não poder ajudar com recursos financeiros.
— Acho lindo o que ele está fazendo, adoraríamos ajudar, assim como já temos conversado com projetos como o do T-Bone e da Mala do Livro, que funciona bem em centenas de lugares, Tivemos uma reunião sobre bibliotecas públicas, e inauguramos a biblioteca do Procon no fim de julho. Apesar das dificuldades financeiras, podemos articular o trabalho dele com a Mala do Livro.

Ao lado da geladeira destruída pelos vândalos, Lucas instalou uma nova na praça da QE 17, no Guará II (DF)
Rodrigo Vasconcelos/R7
Apoio da comunidade
Tanto quem mora ali na vizinhança quanto quem passa o tempo livre nas pracinhas onde montaram as geladeiras aproveitam os livros disponíveis. Até os próprios comerciantes se sentiram estimulados ao hábito da leitura.
Evandro Ximenes é dono de um bar na QE 32. Segundo ele, a comodidade fez com que ele e a filha, que estuda no Centro Educacional III do Guará, optassem pela geladeira ao invés da biblioteca na escola dela.
— Como fica aqui perto de casa e do meu bar, resolvi avisar minha filha, e ela pegou um livro didático de Ensino Médio para estudar. Sempre vi aqui o movimento de pessoas que abrem, olham a geladeira e levam até revistas para ler. A gente tanto pediu que trouxeram outra.
Um dos “patrocinadores” do projeto é o bibliotecário Vidal Ferreira da Costa, que trabalha no Centro Educacional III. Sempre que recebe livros extras e não tem espaço para eles na escola. Além de elogiar a ideia do Lucas, ele lamenta a agressividade dos vândalos.
— Infelizmente, tem gente que não valoriza, mas qualquer projeto que incentive a leitura é sempre bem-vindo, e a ideia da geladeira foi boa. Eu contribuo mais com livros infanto-juvenis, e é interessante como sempre tem interessados alí na praça.
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Lucas Rafael (no meio), conta com a ajuda de artistas plásticos e grafiteiros para a pintura e instalação das geladeiras
Divulgação / Facebook
Via:: R7
Projeto comunitário que disponibiliza livros em geladeiras no DF resiste à ação de vândalos
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